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Texto e fotos: Marcio Silveira

Na edição anterior, relacionamos alguns fatores que podem influenciar de forma imprevisível nosso passeio ou viagem de motocicleta, como clima, piso e alguns obstáculos. Observando as experiências vividas, concluímos que algumas práticas podem ser adotadas para amenizar os riscos quando estes imprevistos se apresentam, como realizar toda a preparação antes de pilotar com muita atenção e sem pressa.

Os fatores imprevisíveis que nos surpreendem durante a condução podem ser superados ou  amenizados com uma certa dose de “sangue frio” para aplicação das técnicas corretas no momento ideal.

Como então adquirir o “sangue frio”? Ingerindo gelo moído? Mergulhando num lago congelado? Pilotando no inverno dos pólos? Não, a resposta é treinamento. Você mesmo pode se submeter a tais condições, mas de forma gradual e esperada, previsível, rodando por algumas estradas de terra, de cascalho, aumentando gradualmente a velocidade, praticando frenagens, sentindo as reações da motocicleta e isso serve para o asfalto também.

Temos que aprender a ler as diferentes aderências do asfalto pois elas mudam entre um asfalto novo e um desgastado, entre um asfalto seco e um molhado. O asfalto novo será mais escuro e mais rugoso, absorvendo melhor a água, o asfalto mais desgastado será mais liso e brilhoso, acumulando mais água na sua superfície. Manchas no asfalto podem ser lidas como perigo também, e caso não seja viável desviar, devemos passar com a moto reta e sem acelerar nem frear. O óleo vazado de veículos deixa manchas pretas no asfalto seco e quando chove, ao se misturar com a água da chuva, temos manchas multicoloridas a serem evitadas também.

Motociclistas constantemente são prejudicados pelo susto, exagerando na frenagem e caindo sozinhos ou usando a frenagem invés de desviar, resultando em colisão, como quando um carro atravessa a pista de forma inesperada ou indevida.

Hoje muitas motocicletas são equipadas com freios ABS e isso permite que o piloto aplique grande força no manete e no pedal de freio, entregando a maior redução de velocidade possível, dependendo do espaço, condições de pastilhas, pneus e atrito do asfalto. Esse sistema é salvador, mas se o espaço não for suficiente para parar, voltamos ao sangue frio, pois a solução é principalmente estar com o olhar focado noutro ponto da pista onde se pode desviar do obstáculo.

Saber usar os freios equipados com ABS não tem segredo, mas ainda escuto amigos dizendo que nunca sentiram o funcionamento deles. Para salvar-se de situações de susto, é essencial ter antes testado os limites da motocicleta, tanto de frenagem quando da agilidade de mudança de direção. Novamente para isso precisamos de treinamento, buscar um local sem movimento e praticar a frenagem em diversas velocidades, aplicando força máxima no manete e no pedal e sentir o ABS em funcionamento antes da situação de susto surgir.

Sempre que pilotamos com segurança e habilidade, o prazer é maior. Pilotar equipado e com a motocicleta em perfeitas condições não é tudo. Também é preciso saber como conduzi-la através de todas estas condições adversas e como consequência, passar a desfrutar de todas estas situações que, tanto quando buscamos cruzar fronteiras, como quando visitamos um amigo vizinho de bairro, se apresentam a nós motociclistas.

O imprevisível acontece, mas depois de superado se torna história, vitória e aprendizado.

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