Emoção é o que não faltou nesta saga pelas trilhas de Minas Gerais: muita terra, acidentes de percurso e máquinas de todos os estilos (e para aventureiro nenhum botar defeito!)

TEXTO E FOTOS: ROSA FREITAG

Custei a querer uma moto off-road, que não pode circular em vias públicas e precisa ser rebocada para a trilha. Em 2015, participei de um enduro em uma XT225 “de rua”, com pneus “cravudos” – e o mundo do “braap” se revelou, com adrenalina, diversão, novas técnicas e amizades. O meu “topo da cadeia alimentar” passou a ser a moto mais leve possível, com boas suspensões e potência para superar os “perrengues”.

Uma motocicleta off-road com esses atributos se enquadra na categoria das “importadas”, com alto custo de aquisição e manutenção. Pelo preço de uma 230 nacional, comprei uma Sherco X-Ride 290cc 2 tempos, ano 2012, bem surrada. Modelo especial da marca franco-espanhola, parece uma moto de Trial com banco e tanque de enduro. Com tanque cheio, pesa 92 kg! Tive que importar algumas peças, recondicionar outras, fiquei na mão algumas vezes, mas, assim que ficou confiável, fui testá-la em duas regiões de Minas Gerais.

LUMINÁRIAS: BRAAP UAI TOUR

No sul de Minas, vizinha a São Thomé das Letras, Luminárias, com cerca de 5 mil habitantes, é cercada por montanhas e conta com atrativos naturais que incluem: cachoeiras, piscinas naturais, grutas e cavernas. Saindo da Fernão Dias em Três Corações, ou vindo de Carrancas ou São Thomé, o acesso é por estrada de terra, uns 20 km. Por asfalto, somente vindo de Lavras.

Saulo Silva, do Braap Uai (empresa de guia de trilhas), é o desbravador de grande parte das trilhas de moto da região, organizador de enduros de regularidade e levantador do famoso Enduro da Independência, onde, no ano passado, minha motocicleta quebrou em um trecho de pedras em Luminárias. Eu precisava passar isso a limpo, então, voltei lá para testar a Sherco em muitos caminhos de pedras, de todos os tipos e tamanhos, degraus e travessias de corredeiras.

Aí, a suspensão brilhou, os pneus de Trial grudaram como se fosse no asfalto e tive uma experiência de pilotagem excelente, rodeada por cenários fantásticos – e essa sensação de pilotar em integração plena com a paisagem, ah… só fazendo trilha! Eu disse ao Michel, o guia, que gosto de parar para fotos e me refrescar em cachoeiras. Passamos por várias, e não resisti a entrar na da Pedra Furada – que arte da natureza! Tudo isso em três horas de passeio. Embarcamos a moto na caminhonete e segui até Belo Horizonte.

MINA’S OFF ROAD

Também levei a moto do Fabião, organizador do Enduro da Mulher, cuja quinta edição será em 11 de março de 2019, em Ribeirão Pires (SP). Todo ano, muitas participantes vêm de longe, e fomos retribuir rodando 950 km até Sabinópolis (MG). Vizinha de Serro, no Caminho dos Diamantes da Estrada Real, um dos portais da cidade de 15 mil habitantes se abre para as trilhas. A equipe Mina’s Off Road foi formada em 2016 por um grupo de amigas que iniciaram o contato com as trilhas nas garupas dos companheiros e, aos poucos, passaram a pilotar as próprias motos. Participando de encontros regionais, e por meio das mídias sociais, a equipe se expandiu para vários municípios.

PASSEIO DE CONFRATERNIZAÇÃO

O “trilhão” é um passeio de confraternização pelas trilhas de uma determinada região. Ou seja: é uma boa oportunidade para quem é de fora conhecer novos caminhos. Nossa anfitriã, Jeane Magalhães, organizou um café da manhã em uma escola em frente à praça central, e os trilheiros locais chegaram rodando. Visitantes de outros municípios e estados, como as integrantes da equipe Rímel à Prova d’Lama, de Muqui (ES), trouxeram as motos em carretinhas, caminhonetes e vans. As mulheres saíram no comboio da frente e, após um desfile pela cidade, com saudações animadas dos moradores, saímos pela rua que acaba na trilha direto para o primeiro “desafio”.

Todos os trilhões têm desafios: paredões, pirambeiras, caminhos mais difíceis, com desvios para o trajeto mais fácil. No percurso, estavam sinalizados com placas “com emoção” e “sem emoção”. Resolvi subir o paredão e fui bem até o topo, mas, como já haviam subido muitas motos, criando sulcos, a roda traseira começou a patinar – um grupo de locais estava lá para ajudar e bastou um puxãozinho pelo “saca-rôia” (alça instalada na frente da moto) para a Sherco subir o resto do morro com vigor. O terreno estava bem seco, com muita poeira, e em muitos trechos, a trilha beirava cercas de arame farpado.

ACIDENTE DE PERCURSO

Com dezenas de motos na trilha, as paradas são frequentes. Já que fazia calor, tirei os óculos para arejar e não os recoloquei quando a trilha ficou aberta. Em uma descida beirando um pasto, um toco desviou à frente da moto e me choquei contra uma cerca de arame farpado. A fileira superior atingiu meu nariz e vi sangue jorrar pela moto. Corri para a sombra de uma árvore, peguei um lenço de papel (sempre levo nas trilhas) e, logo, fui acudida por quem vinha atrás.

Consegui pilotar até uma estrada de terra próxima, no ponto onde havia uma ambulância com socorristas e uma caminhonete (parabéns à equipe Mina’s Off Road por organizar essa assistência junto à Prefeitura!). O sangue estancou, mas a dor era forte. Embarcaram a moto na caminhonete e me levaram até o PS, onde fui atendida rapidamente e levei alguns pontos. Voltei ao hotel, onde aconteceu a festa pós-trilha, e o ocorrido serviu de conscientização para nunca nos descuidarmos de nenhum item dos equipamentos de proteção! Passadas duas semanas, eu já estava de volta às trilhas. Providenciei um engate rápido para os óculos e minha dermatologista disse que o médico do PS fez um ótimo trabalho, que não deixará marcas.

SERVIÇO:

Braap Uai Tour – Luminárias – MG

http://braapuaitour.com.br/

Tel: (31) 99202-2300

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