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Matth Oliver na Estrada
Uma das grandes virtudes que a motocicleta proporciona é estar em contato direto com o clima e o ambiente, mas isso às vezes, pode se tornar também um grande problema!

Texto e Fotos: Matheus Oliveira

Eu já havia passado em alguns desertos antes, como por exemplo no Peru e no México, mas aquele deserto que vemos nos filmes… Pura areia, altíssimas temperaturas eu ainda não havia encontrado.

Pois é meus amigos e minhas amigas, meu pedido foi uma ordem e encontrei nos EUA pura areia dos dois lados da estrada. Não foram muitos quilômetros, mas meu desejo estava realizado.

Às 10h da manhã os termômetros já marcavam 41ºC e ao meio-dia chegou a incríveis 46ºC! Pensei que os pneus iam derreter, pensei que a moto iria derreter, pensei que o capacete iria derreter, pensei que EU IRIA DERRETER!!!

Se bem que derreti, litros e litros de suor que foram devidamente repostos com várias garrafas de água.

Fica aqui um alerta: em situações de extremos de calor ou tempo seco, reidratar-se é mais do que essencial para você manter a sua saúde e até mesmo, manter-se alerta, algo fundamental para quem está pilotando.

No estado do Arizona, existe uma “lei” das antigas: devido à sua condição desértica se você pedir água a uma pessoa e ela tiver condições de lhe fornecer, ela está obrigada a te dar água. Em muitos lugares você pode pedir água, mas o copo você tem que pagar. Então sempre carregue com você um copinho ou garrafinha. Assim você pode beber água e ainda é ecológico não consumindo copos descartáveis.

O outro extremo

Mas eu também já cheguei a pegar frio extremo e neste dia eu quis desistir da viagem. A partir deste dia em que chorei dentro de um banheiro, nunca mais reclamei do calor; esta história, tão marcante, poderá estar nas próximas edições da MotoAdventure.

Não sou fã do frio; gosto do calor, pois você bebe água ou algo refrescante, entra em algum lugar com ar-condicionado e passa. Mas o frio, é terrível!!! Chega a doer os ossos.

Em um outro dia, também nos EUA, decidi sair da autopista e seguir por uma estrada secundária. Confesso que não foi uma das melhores escolhas que tomei, mas a experiência foi incrível. Eu desejava poder acompanhar a fronteira EUA/México e foi aí que descobri que o famoso muro que divide os dois países não está somente nas cidades, está também no meio do deserto.

Quis ir margeando a fronteira. Parei, abasteci a moto e segui… Senti algo estranho… Uma sensação diferente batia em meu corpo… Comecei a notar que não havia carros ou pessoas passando por mim.

Fiquei de olho no odômetro parcial da moto: todas as vezes que abastecia, eu o zerava. 20 quilômetros se passaram… Mais 10km… E nada de pessoas…

Após 40 quilômetros rodados no meio do deserto com temperaturas de 42, 43ºC passou um único carro no sentido contrário. 40 quilômetros sem ver um único ser humano! Confesso que fiquei com um medinho, vai que me acontece algo.

Mas saiba que, mesmo que você esteja no meio do deserto, mais cedo ou mais tarde alguém vai parar para te ajudar em caso de necessidade. Isso aconteceu com um amigo que teve o pneu furado no meio do deserto do Atacama, no Chile. Menos de 5 minutos depois que ele parou no acostamento apareceu uma caminhonete que o levou para a cidade.

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