As experiências que nossas motos nos proporcionam são mais importantes que a quantidade de cilindradas dos veículos

TEXTO: TEODORO VIEIRA

FOTOS: MAURA DE ANDRADE

Além do estilo da motocicleta, a cilindrada é a principal referência para se ter uma boa ideia do tamanho da máquina. Trilha, todo-terreno, urbana, Custom ou esportiva são alguns dos estilos conhecidos, que recebem as mais variadas cilindradas, representados por cc ou cm³ (centímetros cúbicos). Esta é a medida de volume equivalente a 1ml (milímetro) do cilindro que envolve o pistão, peça do motor que se movimenta para cima e para baixo no sentido de transferir a energia resultante da queima da mistura de ar e combustível para movimentar o sistema de transmissão.

É comum ingressar no mundo das motos pelas cilindradas mais baixas, em uma 125cc, 150cc e até 300cc, reservando as 750cc a 1000cc para quando se tiver mais experiência. Porém, isso não é necessariamente uma regra. Apaixonadamente, podemos nos “amarrar” em uma 500cc por muitos os anos ou lustrar infinitamente os cromados da custom “da família” aguardando a próxima viagem. Ou ainda, encontrar a Big Trail dos sonhos, que nos atenda em tudo: conforto, economia, estrada e cotidiano.

De quantas cilindradas precisamos para nos locomover? Isso é algo que só o tempo dirá. O que importa é a experiência que você vive em sua moto e o prazer em pilotar, seja na cidade ou na estrada. Sempre que possível, em boa companhia!

MOTO E MÚSICA

“Vital e sua moto”, música dos Paralamas do Sucesso, marcou época para todos os jovens que buscavam autonomia e liberdade, e me incluo nessa. ”Corria e viajava”, parecia mesmo sensacional – e apesar dos conselhos dos meus pais, eu também queria experimentar a vida em duas rodas. Parecia fascinante a ideia de montar na motocicleta e descer a serra até a praia, então, dei meus primeiros passos com a Yamaha DT180 de um amigo. Quando consegui meu primeiro emprego, convenci meu pai que “de um ônibus para outro, aquilo era o fim”, e ele me ajudou a comprar minha primeira moto, entrando com metade do valor de uma Agrale SXT16.5, a “Pretinha”.

O Teo “passou a se sentir total” com aquela moto dois tempos de trilha para a cidade que o levava para todos os lados. Então, percebemos que as cilindradas sempre devem nos apoiar na locomoção, ao invés de serem um elemento limitador. Tenho que confessar que o desempenho da “Pretinha” de 125cc para descer a serra até a praia era melhor do que para subir na volta – mas, ainda assim, não deixava de ser prazerosa, com a oportunidade de apreciar a belíssima paisagem da subida. Depois daquela primeira Agrale, vieram outras motos para alimentar meu “sonho de metal”.

Certa vez, um colega que decorava sua garagem com uma bela e reluzente Custom me perguntou quantas cilindradas tinha minha moto de trilha da Honda. Ele ficou surpreso ao saber que a Trail possuía menos da metade das cilindradas de sua Custom, mas que já havia percorrido o dobro dos quilômetros rodados por sua lustrosa máquina. O prazer em pilotar sua moto importa mais do que a quantidade de cilindradas do veículo.

Todos sabem que pressa e moto não combinam – a menos que você esteja em um “trackday”, dentro de um autódromo. Cansei de “tomar caldo” de motos menores pela falta de pressa, e aproveito para citar uma obra-prima de Almir Sater: “Ando devagar porque já tive pressa”…. Ainda assim, em uma longa viagem, também já tive a oportunidade de acompanhar um grupo de Speed pilotando uma Big Trail. Isso ajuda a reacender a questão de quantas cilindradas precisamos para nos locomover.

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