Organizado pela 4 Ride Motorcycle, evento ‘Compartilhando Sensações’, realizado no sábado (1º), em Indaiatuba, promoveu a troca de experiências entre motociclistas e deficientes visuais e encerrou com passeio de moto

POR REDAÇÃO

FOTOS: VGCOM / 4RIDE

Aos 71 anos, Massue Tashiro realizou o sonho de sua vida. Mais conhecida como ‘Dona Diva’ na comunidade de Indaiatuba, cidade localizada a cerca de 100 quilômetros de São Paulo, no último sábado (1º), a moradora teve a oportunidade de passear na garupa de uma moto de alta cilindrada. Para muitos, esta poderia ser uma atividade trivial, mas não para Diva, que há 20 anos perdeu completamente a visão.

“Eu já tinha subido uma vez em uma moto com o meu irmão, mas era bem pequenininha. Em uma moto grande foi a primeira vez”, revela. Assim como Dona Diva, diversos outros deficientes visuais que participaram do ‘Compartilhando Sensações’, evento promovido pela 4 Ride Motorcycle, empresa de compartilhamento de motos, em parceria com a Organização da Sociedade Civil (OSC) GABRIEL por meio do Programa ADVI – Amigos dos Deficientes Visuais de Indaiatuba puderam vivenciar a experiência de sentir o vento no rosto e a velocidade de uma motocicleta.

SENTINDO NA PELE

Com o objetivo de integrar as pessoas com algum grau de deficiência visual à comunidade e revelar as dificuldades enfrentadas em seu cotidiano, o evento reuniu aproximadamente 40 motociclistas e 15 pessoas com baixa ou nenhuma na sede do Tênis Clube de Indaiatuba. Em um primeiro momento, os papéis foram invertidos e os pilotos foram convidados a sentir na pele as dificuldades de viver sem enxergar. Carolina Camargo Roncasaglia, Terapeuta Ocupacional e Coordenadora Técnica do Programa da OSC GABRIEL, que também atua na defesa pela doação de órgãos, orientou a forma correta do uso da bengala e, vendados, os motociclistas experimentaram caminhar no escuro.

“É uma sensação de impotência muito grande. Para descer uma escada, no primeiro degrau você tem a sensação de que vai cair de cara. Depois você começa a se acostumar com a distância. Não ter a sensação de onde está indo e do que está fazendo é muito complicado. Eu tiro o chapéu para as pessoas que conseguem conviver com isso”, diz Wallace Roberto Lemos da Silva, restaurador de móveis.

Para Márcio Zero, a experiência de caminhar vendado foi muito interessante. “Nunca tinha feito isso. E na realidade percebi que você potencializa os outros sentidos. A sola do pé passa a ser muito importante para que se sinta o terreno, e a função do guia é determinante. Isso foi muito legal para aprender a como ajudar quem precisa. Eu moro num bairro que tem muitos cegos e sempre ofereço ajuda. Essa experiência vai me fazer ajudá-los de uma forma melhor”, conta.

HORA DE ENCARAR AS MOTOS

Após a dinâmica às cegas, foi a vez dos deficientes visuais experimentarem um pouco da adrenalina das motos. Com os motores roncando alto, eles subiram na garupa a partiram para um passeio de 15 quilômetros em uma estrada asfaltada em direção à Itupeva. A aventura durou cerca de 20 minutos, mas as lembranças prometem ficar para sempre em suas memórias.

“Essa experiência não tem preço. A sensação de andar de moto é muito boa. É uma sensação de liberdade”, diz Osvaldo Jesus de Moraes Junior, Gestor do Programa ADVI, que perdeu a visão há nove anos e hoje coordena o ‘Olhos do Coração’, projeto que recebeu o prêmio ‘Volkswagen na Comunidade 2017’ para realização do primeiro curso de Orientação e Mobilidade para Deficientes Visuais em Indaiatuba.

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