Viagem de moto pela Espanha e França – Parte 1

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Viagem de moto pela Espanha e França

De moto, percorremos os caminhos da Espanha e da França em um roteiro original e fascinante, que deu um “olé” no lugar-comum

Texto: Vera Miranda Barros
Fotos: byBarros

Em setembro, a reportagem de “Moto Adventure” embarcou em um roteiro cheio de personalidade, perfazendo os caminhos da Espanha e da França – dois dos destinos mais românticos do mundo.  Só que esta programação (feita sob medida para os motociclistas) tinha um diferencial importante: a originalidade em oposição ao batido “arroz-com-feijão turístico”.

Os méritos são da Melbourne Tour, empresa que definiu os locais visitados e que selecionou a dedo todos os “ingredientes” da aventura: estradas, hotéis, restaurantes… As escolhas foram criteriosas e o resultado superou expectativas. Entre um lugar deslumbrante e outro, os participantes ainda ampliaram sua bagagem cultural e se deliciaram com a saborosa culinária europeia.

O percurso de 2.420 km passou por Madri, Tordesilhas, Santander, San Sebastião, Bielsa e Barcelona (na Espanha); e por Bordeux, Dordogne, Lourdes e Bielsa (na França). Além de Andora, um pequeno país europeu entre o noroeste da Espanha e o sudoeste da França. Esta localidade fica incrustada na Cordilheira dos Pireneus (que tem aproximadamente 430 km e cujos montes formam um tipo de fronteira natural entre os dois países).

MADRI

Nossa chegada a Madri se deu sob um calor agradável, que nos animou a visitar seus principais pontos turísticos – o tempo era curto, considerando que, no dia seguinte, bem cedo, pegaríamos as motos e iniciaríamos a aventura. A verdade é que seria um “crime” perder as atrações de uma das cidades mais visitadas da Europa – assim, nos munimos de disposição e embarcamos no famoso ônibus de dois andares que percorre os principais pontos turísticos locais.

Tivemos um contato superficial com a cidade. Mas, para os que almejam, um dia, visitá-la com calma, recomendo que se hospedem na região central, perto da Puerta Del Sol, de onde se pode sair andando e sentir o clima boêmio, que paira deliciosamente sobre os bares locais. A cidade é alegre e organizada, com muita gente circulando pelas ruas, de dia e de noite. Deu para perceber, também, que é muito boa para compras, pois há lojas por todos os lados. Sem contar o famoso El Corte Inglês, centro comercial com grande variedade de produtos e marcas.

A “orgia gastronômica” começou já no primeiro dia: nosso guia, um espanhol “da gema”, nos levou a um restaurante da região, onde nos refestelamos entre pratos típicos – do famoso Cozido Madrileno (grão de bico, verduras e carnes) a “paellas” variadas e outras delícias, que merecem ser degustadas sem culpa e sem a preocupação de adquirir alguns “quilinhos” a mais!

Alguns pontos turísticos visitados foram: a Puerta Del Sol, ponto de partida para todas as ruas, que seduz por sua riqueza arquitetônica impressionante (quem tiver tempo para explorar a cidade a pé, deve começar por aqui); a Calle Mayor, que conduz à Catedral de Almudena (uma atração de Madri, cuja fachada se destaca por suas pedras de tons azuis e cinzas); o Palácio Real, antiga residência da Família Real; e a Plaza Mayor, com seus cafés, bares e restaurantes (além de uma arquitetura esplendorosa).  Este último lugar é simplesmente perfeito para saborear um bom vinho ou cerveja enquanto se contempla a paisagem exuberante.

Outras dicas de lugares para se visitar: Plaza de Santa Ana, Museu do Prado, Plaza de Toros de Las Ventas, Plaza de La Villa, Plaza Cibeles, Museu Nacional, Centro de Arte Sofia, Palácio de Cristal, o Estádio do Real Madri e a Gran Via (uma área com muitas lojas, bares e restaurantes).

SEGOVIA

Em um grupo de 18 pessoas (a bordo de 11 motos, com dois Spyder entre elas), iniciamos oficialmente a aventura, saindo de Madri rumo a Tordesilhas. Por conta de todo o trâmite de retirada das motos, o trajeto do primeiro dia foi curto, mas atrativo – cortesia das ótimas estradas que serpenteavam em meio a uma serra com paisagens marcantes.  Uma parada de aproximadamente três horas em Segovia, declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, foi a cereja do bolo deste dia.

Segovia é conhecida por seu aqueduto, construído pelos imperadores romanos Vespasiano e Trajano nos séculos I e II (hoje, restam 167 arcos). Outra atração é o Alcázarde Segovia, na cidade velha, um palácio fortificado em pedra e estrategicamente construído sobre um penhasco rochoso, em meio às montanhas de Guadarrama. A catedral também merece uma visita e, na Plaza Mayor da cidade, a visão exterior impressiona. O trajeto é feito a pé, para que se possa curtir este charmoso vilarejo.

TORDESILHAS

Seguimos, então, rumo a Tordesilhas, cidade espanhola onde foi assinado o histórico tratado de mesmo nome (um acordo de paz entre Portugal e Espanha). O objetivo do tratado era dividir as terras já descobertas pelas duas Coroas fora da Europa, assim como as que ainda seriam descobertas.

Evitando autopistas e rumando por estradas secundárias, com curvas que fazem qualquer motociclista delirar, subimos para alguns trechos entre montanhas. No Parque Nacional dos Picos da Europa, a estrada passa entre rochas; em outro trecho, tínhamos, ao fundo, o Lago de Covadonga, cujo visual é digno de uma pintura. Em vários desses trajetos, cruzamos com peregrinos que rumavam para Santiago de Compostela.

Nosso hotel em Tordesilhas era um antigo parador, dentro de um bosque tranquilo. Por dentro e por fora, uma atmosfera nostálgica envolvia o local.

SANTANDER

Caracterizada pela mescla de uma arquitetura antiga com modernos edifícios, esta cidade sobreviveu a um incêndio em 1941. Naquela ocasião, boa parte de suas edificações foi arrasada.

BILBAO

Rodeada por montanhas e por vegetação, Bilbao foi um importante pólo industrial, mas passou por uma grande transformação e se tornou uma cidade de diversões (seu estandarte é o Museu Guggenheim). É um lugar muito charmoso, com suas misturas de composição arquitetônica (ora barroco, ora vanguardista), além de flores, muito verde e pessoas se locomovendo a pé ou de bicicleta.

O museu Guggenheim reflete a aparência de um barco visto do rio. A cada momento, seu exterior muda de cor. Dentro, há uma vasta coleção de obras clássicas e modernas.

Em breve será publicada a Parte 2 do roteiro.

*Matéria publicada na edição #167 da revista Moto Adventure.

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