A saga do aventureiro Heslan Campos da Silva, de 27 anos, eletricista, que com sua Honda XRE 300 2017 partiu de Jaboticabal, em São Paulo, rumo à Serra da Canastra em companhia de um casal de amigos, porém, durante o percurso, muitas aventuras e imprevistos aconteceram. Acompanhe o relato do viajante!

TEXTO E FOTOS: HESLAN CAMPOS

Foi de repente assim começou nossa viagem para a Serra da Canastra! Ao todo iríamos rodar quase 800 km, e comigo iam meu amigo Rafael Chevette e sua esposa. Rafael é conhecido por ter viajado para muito longe com sua Honda CG Titan (Chile, Argentina, entre outros). Éramos só amigos virtuais e, quando ele me chamou para ir para à Canastra eu aceitei na hora! Isso mesmo, a decisão foi tomada assim, de um dia para o outro. Como não moramos na mesma cidade, (moro em Jaboticabal/SP, e os amigos são de Igarapava/SP) combinamos de nos encontrar em Itáu de Minas. Acabei passando da cidade e aí mudamos o ponto de encontro, que acabou acontecendo em Passos (MG).

Seguimos viagem rumo à Furnas e chegamos na Serra por volta das 22h. Armamos a barraca e conversamos bastante. Lugar lindo, céu estrelado, tudo perfeito, só faltou um telescópio para poder apreciar as estrelas! Acordamos por volta das 6h30, tomamos café (pão com mortadela), arrumamos as tralhas e, quando fui dar partida na moto, a bateria estava arreada (demos um tranco e tudo voltou ao normal). Fomos para a pedreira Lagoa Azul e lá tiramos muitas fotos, quando tive a “brilhante” ideia de tentar cruzar o lago (mal sabia que ali terminaria minha viajem).

Travessia arriscada

Olhei o lago de fora a fora, água transparente, não parecia ser tão fundo. Pedi para que os amigos filmassem a tentativa de travessia com a minha Honda XRE 300, a “Bicuda”. Liguei a motocicleta e já me deu um frio na barriga, parecia adivinhar que aquela aventura não daria certo. Comecei a atravessar, andei cerca de 10 metros, quando do nada o lago ficou fundo e a moto morreu. A XRE não pegava de jeito nenhum, pois nessa hora já tinha entrado água pelo escapamento. Rafael pulou na água e foi me acudir, então empurramos a moto e cruzamos o lago, mas a Bicuda não pegou mais.

Eu achava que fosse a bateria, aí dei um tranco e ela voltou! Saímos da pedreira e fomos para o Mirante de Capitólio. Rodei por volta de 10 km quando a moto morreu de novo. Após religar ela soltou muita fumaça, nessa hora percebi que algo estava errado. Parei a motocicleta e fui analisar o óleo, quando me deparo com uma surpresa: tinha água dentro do motor misturado com o óleo, o que gerou um calço hidráulico. Na hora eu não sabia bem o que fazer, achei que era só esgotar a caixa de ar, tirar o óleo e colocar outro, mas não deu certo!

Santo Maurício!

Nesse meio tempo passou um motociclista chamado Maurício Campos, que estava voltando da sua viajem ao Atacama feita com uma Honda CB 500X. Ele parou para nos ajudar, mas não teve jeito, tive que ligar para a seguradora. Maurício me empurrou no pé até o posto mais próximo, que estava há cerca de 4 km. Nos despedimos e agradeci a ajuda do companheiro, e então ele seguiu rumo à Belo Horizonte (MG). Meu amigo Rafael Chevette e sua esposa ficaram no posto comigo enquanto eu aguardava o guincho, quando falei para ele seguir a viagem, pois eu ficaria bem. O rapaz ficou meio sem jeito, mas eu pensei que não seria justo com o casal, já que era a primeira vez que sua esposa viajava de moto com ele. Nos despedimos e aguardei a chegada do guincho.

Nossa programação era cruzar a Serra na Canastra inteira nesses dois dias, mas não foi possível devido a esses imprevistos. Fiquei triste, porém sem rancor. No caminho de volta para casa, às vezes eu olhava para trás e via aquele bico da XRE e começava a rir sozinho (faltou experiência, eu devia ter esgotado o óleo assim que sai da água e, fazendo isso, não teria esse prejuízo), mas, no final, o que fica são só histórias boas para contar. Um abraço a todos, meu e da Bicuda!

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