Viagem de moto por Paranapiacaba (SP): Fog londrino

Paranapiacaba

O charme do nevoeiro típico da capital britânica de Paranapiacaba, na Grande São Paulo, foi apreciado por motociclistas ávidos por descobrir novos caminhos e conhecer trechos que oferecem muita emoção sobre duas rodas

Texto: Celso Renato A. da Silva
Fotos: Alberto Piva

Paranapiacaba

A região escolhida para essa nova aventura fica entre a capital paulista e a Serra do Mar, com início no Riacho Grande, em São Bernardo do Campo, e destino final em Paranapiacaba, distrito de Santo André. A vila possui um clima quase londrino, e explico o motivo: a região tem um fog constante (neblina), mas é diferente do famoso nevoeiro londrino do começo do século passado, que era um fenômeno ligado à poluição decorrente do início da Revolução Industrial. Já a neblina de Paranapiacaba é natural, graças à proximidade com a região serrana e a vasta e densa vegetação da Mata Atlântica. Além dessa característica do vilarejo, ele também possui a sua história ligada aos ingleses.

Início do passeio

Riacho Grande é um distrito do município de São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista. A área ocupada atualmente pelo distrito foi, desde o século XVI, atravessada por caminhos que ligavam o planalto ao litoral paulista, sediando as pousadas e ranchos, hoje desaparecidos, que serviam aos viajantes. A antiga Vila do Riacho Grande, da qual se originou a sede do atual distrito, se formou nas proximidades da Estrada Velha de Santos a partir da linha colonial do Rio Grande, área que, assim como boa parte de todo o distrito, desde 1927, está parcialmente ocupada pelas águas da Represa Billings.

Na área do Riacho Grande também é feita a captação e o tratamento de água pela Sabesp, empresa de saneamento básico paulista, para posterior distribuição aos municípios do Grande ABC. O local possui intenso movimento turístico na praia da represa e conta com uma orla bem extensa, sendo maior do que muitas praias naturais. Recentemente, passou por um processo de revitalização e requalificação. Agora, oferece aos usuários decks para contemplação, academias de ginástica ao ar livre, vestiários, sanitários e calçadão, além de restaurantes e quiosques de alimentação. Para fins turísticos o Riacho Grande dispõe de pedalinhos, wetbike, banana-boat e passeios de lancha. Nos dias quentes, vale uma parada para contemplar e degustar as iguarias locais.

Riacho Grande
Riacho Grande

O roteiro

Para chegar ao Riacho Grande, a partir da cidade de São Paulo, utilize a Rodovia Anchieta, que liga a capital ao litoral sul paulista. Pegue a saída 29 e siga na SP-148 (placas para Ribeirão Pires/Parque Estoril), passe por baixo da rodovia. Ao chegar a uma grande rotatória, siga as placas Rio Grande da Serra/Paranapiacaba pela Rodovia Índio Tibiriçá. No km 46 pegue a saída à esquerda e siga as placas para Ribeirão Pires/Paranapiacaba. Depois de cruzar a rodovia por baixo, siga pela Rodovia Ribeirão Pires-Paranapiacaba. Fique atento à placa “Parte Baixa”, pois nela você deve sair à esquerda da rodovia e cruzar a linha do trem. Nesse ponto tem início o trecho aventureiro por terra pela Estrada de Paranapiacaba/Avenida Ford.

Cerca de 200 metros depois de cruzar a linha do trem há uma bifurcação. Nesse ponto você deve tomar uma decisão, pois os dois caminhos levam a Paranapiacaba. Pela direita, o caminho é mais curto, com piso bem batido e de fácil transposição, podendo ser executado sozinho, mesmo por motociclistas com pouca experiência em aventuras. Pela esquerda, o percurso deve ser efetuado sempre em grupo e, de preferência, com motociclistas experientes. Com piso seco, pneus off-road são recomendados, pois o trecho possui vários pontos escorregadios. Essa estradinha faz ligação com muitas trilhas e, assim, você deve cruzar com muitos trilheiros, além de ser utilizada esporadicamente por caminhões para transporte de madeira. Claro que seguimos pela esquerda, sempre à procura da aventura, apesar da neblina e do piso molhado. Esse trecho é conhecido como Estrada do Rio Claro. Siga pela principal sempre pela direita, depois de aproximadamente 12 km você chegará a um entroncamento, siga à direita sentido Taquarussu e Paranapiacaba, depois de mais 10 km Paranapiacaba chegou. Aproveite para descansar, se alimentar e conhecer um pouco da história local.

Estrada do Rio Claro
Estrada do Rio Claro

Paranapiacaba

A Vila de Paranapiacaba está localizada na região sudeste do município de Santo André, no limite entre o Planalto Paulista e a Serra do Mar, integrante da região metropolitana de São Paulo. A Vila Ferroviária de Paranapiacaba, situada no município de Santo André, é o mais importante patrimônio arquitetônico  em estilo vitoriano no Brasil, proveniente da ocupação inglesa na Serra do Mar para construção da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, no final do Século XIX.

Paranapiacaba
Paranapiacaba

A origem da vila ocorreu a partir dos índios tupis, que a nomearam de Paranapiacaba, significando em seu idioma: “De onde se vê o mar”. Era essa a visão que tinham os povos indígenas que passavam pela região rumo ao planalto. Posteriormente, naquele caminho íngreme utilizado pelos índios, foi construída pela São Paulo Railway Co., em 1867, a partir da Estação Alto da Serra, a atual Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, dando origem à ocupação da área pelos ferroviários.

Em 1856, a então recém-criada empresa inglesa São Paulo Railway Co. recebia, por decreto imperial, a concessão para a construção e exploração da ferrovia por 90 anos. A vila, inicialmente um acampamento de operários, após a inauguração da ferrovia, em 1867, transformou-se na Estação Alto da Serra, para cuidar da manutenção do sistema. Em função de sua localização, último ponto antes da descida da serra, a vila começou a ganhar importância. Em 1946, termina o período de concessão e todo o seu patrimônio é incorporado ao Governo Federal. Esse fato é apontado pelos antigos moradores como o início da decadência da Vila, que passou nas décadas seguintes por um processo de degradação, até ser comprada pela Prefeitura de Santo André, em 2002.

A partir desta data é que se iniciou um trabalho efetivo para a preservação do patrimônio e alavancar o desenvolvimento socioeconômico local através do turismo. A vila encanta por suas casas de madeira hierarquicamente divididas pelas ruas planejadas da Vila Martin Smith, na Parte Baixa, pelo relógio que ditava o ritmo das atividades, pelo colorido das casas do morro da Parte Alta, pelo movimento dos trens e por sua típica neblina.

Para retornar você deve atravessar a cidade descendo sentido à linha de trem e seguir pela Estrada de Paranapiacaba até o asfalto.

A moto utilizada neste roteiro foi uma Kawasaki Versys 650 TR 2017. Excelente para viagens, ela oferece extremo conforto e boa condução em estradas de terra com segurança, permitindo esse tipo de aventura com tranquilidade.

Essa rota aventureira possui alguns trechos técnicos, porém, é possível ser feita por iniciantes. O trecho de terra com piso seco é possível fazer com pneus originais com segurança, entretanto, com chuva não recomendamos a saga.

Contei com a excelente companhia dos aventureiros Alberto Piva, Brandão Mesenberg, José Alberto Santos e Rogério Passos.

Onde Comer

Restaurante Bar da Zilda. Rua Direita nº 420 – Paranapiacaba, Santo André (SP)

www.bardazilda.com.br

SERVIÇO:

Aventur: (11) 99296-4677 – Falar com Celsinho, que organiza trips on e off-road pelo Brasil afora.

www.aventur.tur.br

Apoio:

Kawasaki – Alpinestars – Bell

VEJA TAMBÉM: Viagem de moto pela Serra do Japi (SP): Castelo de Águas.

 

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